BIOGRAFIA DE RÔMULO DE ALMEIDA BIOGRAFIA DE RÔMULO DE ALMEIDA

O homenageado do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional Edição 2012, Rômulo Barreto de Almeida, nasceu em Salvador - BA, no dia 18 de agosto de 1914, e faleceu em Belo Horizonte - MG, em 23 de novembro de 1988. Em 1933, bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Bahia, mas logo passou a atuar na área de planejamento e desenvolvimento econômico. 

Romulo de Almeida

Rômulo de Almeida

 

A trajetória profissional de Rômulo de Almeida foi marcada pela atuação dele como homem público, acadêmico, político, empresário e diplomata. A  expressão mais concreta e significativa desse processo relaciona-se às  contribuições fundamentais dadas por ele ao desenvolvimento socioeconômico e cultural do Brasil. Como assessor de planejamento do Governo de Getúlio Vargas, concebeu planos, leis e principalmente preparou as condições para expansão econômica do país com a criação da estrutura econômica  estatal brasileira que tirou o país da economia agrária e o levou à economia urbano-industrial da atualidade. Foram criados neste período,  a PETROBRAS, a ELETROBRAS, a CAPES, o CNPQ, o BNDES, BNB e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia-  SPEVEA, dentre outros. Também colaborou para a concretização da Usina de Paulo Afonso.

Rômulo de Almeida e seu sucessor Celso Furtado consideravam fundamental a participação das empresas estatais no processo de industrialização, bem como o desenvolvimento de projetos prioritários como mineração, petroquímica, energia, telecomunicações e transportes.

Rômulo de Almeida e Celso Furtado foram, também, responsáveis pelo reconhecimento  da importância, social e política, da questão regional brasileira a partir da década de 1950, com a preocupação de melhorar as condições de vida da população nordestina para assegurar o funcionamento da economia da região. O pensamento deles foi determinante na concepção e implementação de diretrizes políticas, na criação e na condução de instituições direcionadas para o desenvolvimento do nordeste.

As ações implantadas sob a coordenação de Rômulo de Almeida com os mais fortes impactos na organização e estruturação do território nordestino estão relacionadas com a  criação do Pólo Petroquímico de Camaçari, incentivo ao surgimento do Pólo de Confecções de Fortaleza, no Ceará. Em Alagoas, deu a idéia  da indústria petroquímica; em Pernambuco, do Complexo Industrial de Suape, na área do Porto de Recife; e em Sergipe e Rio Grande do Norte, da destinação das belas praias para o turismo nacional e internacional.

Foi o homem público a introduzir o planejamento no Estado brasileiro e com ele fortaleceu-se a idéia de planejamento e da importância do Estado no desenvolvimento do País.  

Em 1941, tornou-se diretor do Departamento de Geografia e Estatística do Território do Acre. Em 1946, prestou assessoria à Comissão de Investigação Econômica e Social da Assembléia Nacional Constituinte. No período de 1948 a 1949, participou de diversas sub-comissões da Comissão Mista Brasileiro-Americana de Estudos Econômicos - também conhecida como Missão Abbink - que contribuiu para o diagnóstico das causas do baixo nível de progresso brasileiro. 

Em 1951, Almeida ficou responsável pela organização da Assessoria Econômica da Presidência da República. No segundo semestre de 1953, assumiu a presidência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). No pleito de outubro de 1954, elegeu-se Deputado Federal pela Bahia na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Iniciou o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornando-se vice-líder do PTB, em março. Em abril, porém, deixou a Câmara para assumir a Secretaria da Fazenda baiana. Ainda em 1955, criou e presidiu, na Bahia, a primeira Comissão de Planejamento Econômico do Estado. Em 1957, criou e presidiu o Fundo de Desenvolvimento Agroindustrial da Bahia e foi nomeado vice-presidente da Rede Ferroviária Federal. Reassumiu seu mandato na Câmara em julho desse mesmo ano, exercendo-o até dezembro. No período de 1957 a 1959 reorganizou o Instituto de Economia e Finanças da Bahia e nesse último ano foi secretário sem pasta para Assuntos do Nordeste em seu estado. Representou, também, a Bahia na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e, nomeado posteriormente secretário de Economia, elaborou o projeto da Companhia de Energia Elétrica da Bahia (Coelba).

Foi diretor da Companhia Ferro e Aço de Vitória, em 1961. Com a extinção do bipartidarismo, em 29 de novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, vinculou-se à corrente trabalhista liderada por Leonel Brizola. Quando esse perdeu a sigla do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Rômulo de Almeida participou de várias conferências internacionais. Foi professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade da Bahia, da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, do Curso de Planejamento do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) e da Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP) da Fundação Getúlio Vargas. Foi diretor da Fundação Casa Popular, da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, da Empreendimentos Bahia S.A., e presidente da Consultoria de Planejamento Clan S.A. Tornou-se membro do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM).

Presidente de honra do PMDB baiano, em 1985, foi nomeado, no governo Sarney, diretor de planejamento da área industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nos últimos anos em que viveu, Rômulo de Almeida esteve envolvido diretamente na luta pela redemocratização do Brasil, enquanto contribuía na concretização do Pólo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, com a implantação de fábricas.

Faleceu no final dos anos 80, deixando um legado de instituições estatais que socorreram a economia do Brasil na crise econômica mundial da primeira década dos anos 2000, ou seja, o espírito de planejador do futuro de Rômulo de Almeida continua presente.

Entre outras obras publicou: A experiência brasileira de planejamento, orientação e controle da economia. Estudos Econômicos, Ano I, no. 2, junho 1950; Educação num país em processo inicial de desenvolvimento. REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS. Imprensa: Brasília. v. 47, n. 105, p. 9 - 54, mar., 1967; Novas medidas internacionais em prol do desenvolvimento econômico; Petroquímica na economia nacional; O Nordeste no Segundo Governo Vargas; A origem, a estrutura, o funcionamento e os problemas da ALALC e Petroquímica na economia mundial, Finanças estaduais e serviços fazendários. Salvador: SEFAZ, 1956. 112 p. tabs.